
Por Danilo Fernandes
Muitas pessoas quando começaram a estudar comunicação e principalmente Marketing se depararam com o nome de Philip Kotler como uma das maiores referências sobre o assunto. Não somente pela escrita do Marketing 3.0 (que foi parte da grade curricular de cursos de graduação na área), mas também por outros trabalhos que conseguem transcrever o cenário do marketing de uma maneira mais analítica.
Em um comentário logo no prefácio, é possível notar que o livro “Marketing 7.0: A Guide for Thinking Marketers in the Age of AI” – lançado em 7 de abril de 2026 – é parte de uma análise extensa sobre os desenvolvimentos do mercado acompanhada da evolução de seus livros antecessores. O modelo do marketing que conhecemos hoje não necessariamente se difere da estrutura de mercado proposta no 3.0, mas uma peça-chave de todo processo da comunicação mudou: o ser humano.
Ao apresentar um novo arquétipo, aqui chamado de Augmented Human (Humano ‘aumentado’), o autor considera que o comportamento dos consumidores deixou de ser passivo – um espectador de campanhas televisivas ou até mesmo no começo da internet – para alguém que faz parte do ecossistema de comunicação, tendo em vista que parte do marketing é feito hoje através das redes sociais.
Um comparativo rápido entre a evolução do Marketing (partindo do 3.0 chegando ao 7.0) nos mostra que antes o que era eficiente para o mercado, se torna incompleto. Antigamente, as mídias não conseguiam filtrar o tipo de potencial cliente – comerciais de tv e sites apenas se guiavam pelos horários e tipo de conteúdo. Hoje em dia, qualquer comportamento é mensurável: o que torna todo tipo de informação do usuário em um indicativo para um potencial sucesso ou fracasso de uma campanha. Nesse momento, é essencial a introdução de duas ferramentas que nos ajudam a moldar um novo formato de comunicação: a neurociência e as inteligências artificiais.
O conceito de Inteligência Artificial não é atual, sua apresentação para o mercado como modelo aparece por volta dos anos 50, mas o que difere o conceito de mais de 70 anos atrás do uso que temos hoje em dia não é só a praticidade, porém a maneira como essa ferramenta faz parte de nosso dia a dia. Algoritmos que nos mostram o que assistir, ouvir e consumir baseados no comportamento que temos em quase todo tipo de eletrônico, transformam as IAs não só em ferramentas de busca, porém uma extensão do cérebro analógico. A anatomia cerebral estudada pela neurociência não se modificou nas últimas décadas, porém a conduta do usuário se tornou mais um indicador de eficácia de campanhas publicitárias.
Junto a crescente das ferramentas de LLM e AGI (Inteligência Artificial Generativa) veio o aumento de uma demanda de uma comunicação ainda mais escalável e personalizável. O uso de IAs para criação e estruturação de comunicação está cada vez mais rotineiro, porém a falta de tato humano pode transformar uma ferramenta muito eficiente em algo pasteurizado. Campanhas repetitivas, call to actions padrão, trends virais que não acompanham o funil de vendas e estrutura de fala sem tom de voz definido ainda são uma problemática gerada pelo uso indiscriminado e sem treinamento das ferramentas: o que colabora para a falta de destaque em um mercado onde o consumidor produz “conteúdo” na mesma plataforma que um anunciante.
Com isso, uma das saídas mais eficientes é resgatar a humanidade que é lida através da tecnologia promovendo momentos inesquecíveis e multisensoriais – de acordo com a neurociência, a combinação de mais de um estímulo facilita a penetração de uma mensagem na mente dos consumidores, uma vez que a memória a longo prazo do ser humano é criada em diversas camadas. Uma alternativa se mostra presente no marketing de influência, pois promove a experiência empática onde outro ser humano indica algum serviço ou produto de maneira genuína, ativando os neurônios-espelho que nos fazem “sentir parte” da experiência vivida por alguém que confiamos.
Ou seja, o “atendimento humanizado” de hoje em dia não precisa ser necessariamente através da falta de automação de um ChatBot ou de uma lista de possíveis cenários gerados por uma IA que resolveria um problema em potencial, mas sim entender que a abordagem de resolução de problemas hoje precisa ser customizável. Consequentemente o papel do profissional de marketing se torna muito mais seletivo do que ativo: campanhas publicitárias deixam de ser ideias escritas em documentos de texto para dar espaço a projetos de escala mundial e multimídia, experiências multissensoriais e imersivas com indicadores dinâmicos coletados por diferentes plataformas de consumo mapeando não só os desejos e dores dos consumidores, mas principalmente o que nos humaniza.
Cabe agora aos profissionais de marketing replicar e amplificar a percepção além do que nos é mostrado pelas ferramentas de IAs, entender a potência das informações mensuradas a cada segundo por todo tipo de equipamento eletrônico e proporcionar experiências que, mesmo que automatizadas, busquem um respiro quase que analógico em um mundo totalmente digital.
Se você gostou dessa análise e quer se aprofundar nas ferramentas de venda e escalas apresentadas pelo livro, busque estudar alguns estratagemas mnemônicos:
DEEP, SELL, 4C, 5D, 6E, PDB, além de roadmaps que mostram o movimento de expansão das AGIs.